De Espinho para o Estoril

Há cerca de 9 meses troquei o E de Espinho pelo o E de Estoril. Eu uma genuína e autêntica mulher do norte, vi-me por razões alheias a mim, forçada a mudar-me de malas e bagagens para a "Linha"!!! Hoje, olho para trás e tenho a certeza que foi das mudanças mais difíceis da minha vida. 
Considero-me arrojada, aventureira e adoro um bom desafio, mas também gosto muito do outro prato da balança, das rotinas, da minha casa, da minha família, dos meus amigos pertinho de mim, em suma,  raízes, gosto de ter raízes, de saber onde me encontro e de ter ao meu alcance tudo o que gosto e preciso. 
A mudança foi em tudo difícil, para trás além da casa, da família e dos amigos, deixei um trabalho que adorava e a cidade que escolhi para viver. À minha frente tinha uma cidade que mal conhecia, uma série de pontos de interrogação, dúvidas, medos e ao meu colo a minha princesa com 6 meses. 
Passados todos estes meses, estou conformada com o meu novo E, e o que este me proporciona. Tenho a felicidade, de estar inteiramente dedicada à minha filha, e puder vê-la crescer e fazer as suas pequenas conquistas ao meu lado. A minha relação está a passar por uma grande prova de resistência e paciência, não é fácil estarmos tanto tempo juntos, mas sinto que nos re-apaixonámos de uma forma mais forte e cúmplice. Tenho a sorte de estar geograficamente mais próxima de dois amigos maravilhosos, que tenho como família, e de ter conhecido pessoas fantásticas. Não estou convencida porque me falta o aconchego da minha casa, o colo dos meus pais e irmã, os abraços e os beijos daqueles que me são importantes e que os telefonemas para matar saudades não conseguem dar. 
Positivo é que, apesar de parecer que estou longe e de muitas vezes sentir que estou a léguas de distância, os cerca de 320km de distância que separam os meus E's, podem facilmente ser anulados por 2h30m de viagem. Que às vezes a excitação e a ansiedade fazem com que pareçam meros minutos.... Aqui sou uma felizarda! Tenho tantos amigos que como eu partiram, e não têm esta facilidade de regressar, matar saudades por um dia, dois, ou mesmo uma semana. Por isso, penso que devo sempre agradecer o que a vida me proporciona e saber geri-lo da melhor forma. 
Hoje regresso para o meu novo E depois de uma semana em casa. Regresso de coração cheio, depois de uma semana de colo dos Papás, de um domingo de Páscoa com toda a minha família, de jantares com os meus do coração e cheia de abraços, beijos e sorrisos daqueles que preenchem a minha vida. E assim levo a minha vida, ao style "caixeira viajante" mas de uma forma saudavelmente feliz. 

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